NOVA IGUAÇU - Um homem ainda não identificado foi assassinado na tarde de ontem (26), em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Ele estava passando pelo local quando foi atingido por disparos de arma de fogo. A vítima não resistiu aos ferimentos e morreu no local.

Segundo A PM, que atendeu a ocorrência, o homicídio ocorreu no bairro Santa Rita. Um homem armado teria efetuado três disparos, que acertaram a cabeça da vítima. O suspeito fugiu em um veículo e até a publicação dessa reportagem não tinha sido localizado.

Um homem, que preferiu não se identificar, afirmou que o caso é um possível acerto de contas pois a região vem aumentando os índices de violência. A Divisão de Homicídio da Baixada Fluminense segue com as investigações.

Via Folha da Baixada


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NOVA IGUAÇU - Três rapazes foram assassinados na tarde de ontem, no bairro Cerâmica, em Nova Iguaçu. As vítimas foram atingidas por tiros na cabeça e não tiveram tempo de fugir do ataque ocorrido na Tomaz de Aquino de Farias.

Segundo as primeiras de testemunhas, os rapazes identificados apenas por Jonas e Jefferson morreram no local. Já a terceira vítima, identificada como Djalma, chegou a ser levada para o Hospital Geral de Nova iguaçu (HGNI), mas até o fechamento dessa edição a unidade não divulgou o estado de saúde do paciente.

A Divisão de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), que investiga o caso, não descarta nenhuma possibilidade para o crime e trabalha com a hipótese de execução. A especializada não informou se os jovens têm passagem pela polícia.


Via Jornal de Hora H
28/06/2016
NOVA IGUAÇU - Quinta-feira 30 de junho, George Israel, saxofonista e violonista da banda Kid Abelha, se apresenta às 19h30 no Palco do Shopping Nova Iguaçu. O show, que faz parte do projeto de Happy Hour “Bar MPB”, será gratuito. O também compositor e guitarrista faz parte da banda desde sua formação, em 1981, e mantém carreira solo paralelamente desde 2004 interpretando sucessos do rock brasileiro, pop rock e música eletrônica.

Serviço: GEORGE ISRAEL NO SHOPPING NOVA IGUAÇU
Local: Palco Shopping Nova Iguaçu – Praça de Alimentação
Av. Abílio Augusto Távora, 1.111 - Nova Iguaçu. Telefone: (21)3812-1999
Data: 30/06/2016
Horário: 19h30
Estacionamento no local
Classificação Indicativa: Livre
Evento Gratuito

Via Shopping Nova Iguaçu
27/06/2016
NOVA IGUAÇU - Nessa palestra, no Ciep 111 Gelson Fretas na baixada fluminense, Diogo Medeiros falará sobre sua história de vida como jovem negro da baixada que rompe barreiras sócias e na argentina cursando medicina como estrangeiro.

“Motivando a cidadania através da educação, ampliando horizontes; um olhar sobre como a educação nos dá asas para conquistar o mundo e desconstruir preconceitos raciais e sociais”.

Nosso palestrante é Diogo Medeiros; um jovem de uma comunidade carente que após ver sua mãe morrer nos seus braços na porta de um hospital público, promete a ela e a si mesmo que se tornará médico para ajudar as pessoas carentes e nunca mais passar por uma situação como aquela. A partir de então, Diogo trava uma luto contra adversidades econômicas no objetivo de formar-se em medicina.

Com determinação e perseverança, Diogo vê na educação a saída para mudar sua realidade e chegar ao seu objetivo que é ser médico. Uma profissão que aqui no Brasil historicamente é dedicada a uma camada da elite brasileira. Elite essa, privilegiada por uma situação econômica que a torna detentora quase que exclusiva das profissões mais prestigiadas das universidades públicas. 

Ensino médio e fundamental em escolas públicas com reforço em projetos sociais, assim Diogo seguia firme rumo à superação da defasagem escolar. Após o ensino médio; um dos muros sociais impostos pela sociedade é o vestibular que aqui, seleciona as pessoas através de uma meritocracia injusta, onde nem todos partem do mesmo lugar. Assim concedendo acesso as mais altas profissões àqueles de famílias economicamente abastadas.

Porém, o mundo é amplo de possibilidades, vendo esse morro à frente, Diogo vai além, com orientação e ajuda de ONGs e pessoas sensíveis a sua luta; ele consegue viajar a Buenos Aires Argentina e prestar o exame de admissão numa das mais antigas Universidades da América de sul a Universidade de Buenos Aires (UBA). Chegando a UBA, Diogo é submetido por uma banca que revisaram seus conhecimentos de Ensino médio e sua proficiência na língua espanhola, requisitos esses aprovados com louvor. Assim adquirindo sua tão sonhada ascensão ao curso de medicina e um troféu; o jaleco da instituição. A partir desse momento, se abre outro morro, pois como um garoto pobre da baixada fluminense se manteria cursando medicina em outro país. Então com o jaleco em mãos, ele volta ao Brasil com esse novo questionamento.

Novembro de 2015, uma semana antes do maior vestibular do Brasil o ENEM, Diogo no afã de transmitir sua felicidade e passar uma mensagem de otimismo num grupo de vestibulando de medicina no facebook. Ele posta uma mensagem de força e fé para aqueles que iriam prestar o exame de admissão no Brasil. Com isso, Diogo vê a verdadeira cara de um país RACISTA. Após aquela postagem de otimismo pipocaram mensagens racistas e revelando o lugar determinado para o negro para aquele grupo. O caso veio à tona nos jornais do Brasil todo, abrindo assim o debate sobre o racismo institucionalizado e naturalizado.

Foi assim que conheci Diogo, pelos jornais e através de um amigo advogado do movimento negro. Logo, me identifiquei, pois vi nele o mesmo garoto determinado a mudar a realidade social e a questionar esse lugar do negro em nossa sociedade. Ofereci-lhe ajuda para ficar em Buenos Aires e dar procedimento ao seu sonho de se tornar médico, assim como fiz em minha juventude. Morei em Bs As com a cara e a coragem e fiz pós-graduação em Ensino de Língua Estrangeira.

Hoje, no seu primeiro semestre na UBA, Diogo volta ao Brasil para nos falar de suas experiências não só de superação dos preconceitos, com também a vida que leva em Buenos Aires como estudante estrangeiro. Acreditamos com isso, levar uma mensagem de persistência e determinação na luta pela educação para os jovens da baixada fluminense.

Azencelver Bruno dos santos/ Prof EMALOG
NOVA IGUAÇU - A respeito da matéria “Moradores do Jardim Nova Era fazem protesto contra falta de melhorias no bairro”, publicada na edição de 23 de junho de 2016 neste conceituado veículo de comunicação, a Prefeitura de Nova Iguaçu esclarece que, através de uma parceria com o Governo do Estado foram iniciadas obras em diversas ruas do Jardim Nova Era. Porém, com a crise econômica que atinge o país, as intervenções foram suspensas por falta de verba. Mas a Prefeitura está solicitando ao governo estadual o reinício das obras.

A Prefeitura de Nova Iguaçu destaca que a região conhecida como “Corredor da Estrada de Madureira” recebeu cerca de R$ 1 bilhão de obras em três anos de governo. Foram saneadas e asfaltadas mais de 300 ruas. Além disso, a Prefeitura construiu 10 escolas (sendo a Três Marias a maior da rede municipal) e 12 mil casas populares.

A Saúde também não foi esquecida, pois a Prefeitura construiu clínicas da família na região, sendo que a Patrícia Marinho, no bairro Jardim Paraíso, atende 24 horas. No início do governo, em 2013, o prefeito Nelson Bornier determinou a derrubada da unidade, que estava em precária condição. Imediatamente foi construído um prédio novo e funcional, dando mais dignidade aos moradores da região.

Resumindo, a Prefeitura, mesmo com todas as dificuldades econômicas, continua buscando recursos para concluir possíveis obras paralisadas.


Via PMNI
27/06/2016
Viúvo da médica Gisele Palhares, Renato Palhares esteve no IML do Rio (Foto: Nicolás Satriano/G1)
NOVA IGUAÇU - O marido da médica assassinada durante uma tentativa de assalto na Linha Vermelha, Renato Palhares, cobrou do Estado uma ação efetiva contra a violência. Gisele Palhares voltava em seu carro de Nova Iguaçu, município da Baixada Fluminense, quando foi abordada por criminosos e morreu vítima de disparos de arma de fogo. O crime ocorreu na noite deste sábado (25), por volta das 19h.

"Peço às autoridades, ao secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, que isso não fique impune. Não é possível que tenhamos de andar com carros blindados no Rio de Janeiro", disse Renato, que também é médico. O casal estava junto há 14 anos.

Ele também contou que conversou recentemente com a mulher sobre a compra de um carro blindado. Apesar disso, o médico disse que a esposa relutava e não achava necessário. Gisele fazia quase que diariamente o trajeto de Nova Iguaçu para a Barra da Tijuca, onde o casal mora.

Renato contou que tudo corria bem neste sábado. "Ela estava toda feliz", afirmou. O casal saiu junto pela manhã e Gisele foi para a Baixada participar de três ações sociais. Esteve na casa de paciente e, segundo o marido, chegou a fazer sopa e bolo para um deles.

A última mensagem que trocaram foi por volta de 15h30, mas Renato não estranhou porque sabia que o sinal de telefone onde Gisele estava não funcionava bem.

Às 19h, a irmã de Gisele ligou para Renato e disse que um PM havia ligado para ela falando que a esposa sofreu um acidente na Dutra.

"Comecei a entrar em contato com amigos médicos e soube que no Hospital de Saracuruna havia um óbito por traumatismo cranioencefálico. Quando eu cheguei lá, a vi daquele jeito. Com um tiro na cabeça", contou o médico

Sobre a violência em vias expressas do Rio, o médico disse que tanto a Linha Vermelha como a Amarela são verdadeiras "faixas de Gaza", e pediu uma ação mais efetiva da política de segurança para esses locais.

O casal não tinha filhos. O velório de Gisele irá ocorrer ainda neste domingo (26) e o enterro será nesta segunda-feira (27), no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap.

Tiro na cabeça
Gisele Palhares Gouvêa, de 34 anos, morreu após ser baleada na cabeça durante uma tentativa de assalto na saída da via dutra, acesso para a Linha Vermelha, pista sentido Centro do Rio, no fim da noite deste sábado (25). A vítima estava sozinha em seu carro e o crime aconteceu na altura da Pavuna, Zona Norte do Rio de Janeiro.

De acordo com a polícia, a médica foi socorrida e levada para o hospital Adão Pereira Nunes, em Saracuruna, mas não resistiu. Ainda segundo a corporação, o veículo da vítima, que não foi levado após o crime, foi perfurado por pelo menos dois disparos.

Segundo o comando do Batalhão de Policiamento em Vias Expressas (BPVE), equipes que faziam o patrulhamento na Linha Vermelha receberam informações da tentativa de roubo, mas encontraram a vítima ferida a tiros por criminosos quando chegaram ao local. A PM afirma que imediatamente o BPVE iniciou um cerco na região, que conta, desde janeiro, com o reforço no policiamento com apoio Batalhão de Policiamento em Grandes Eventos (BPGE) . O comando da Unidade determinou que, além de buscas pelos suspeitos, fossem realizadas operações de blitiz no trecho do crime já retomadas neste domingo desde as 5h.

Via G1
26/06/2016
NOVA IGUAÇU - A médica Gisele Palhares Gouvêa foi baleada e morreu na noite deste sábado na Linha Vermelha. Ela estava em seu carro e teria sido vítima de uma tentativa de assalto. 

A vítima foi atingida por dois tiros na cabeça e chegou a ser levada para o hospital Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, mas não resistiu.

Nas redes sociais, amigos da médica lamentam a tragédia. Ela era diretora da Clinica da Família de Vila de cava, em Nova Iguaçu.

Via O Globo
Por:Márcio Menasce - O Globo
26/06/2016
NOVA IGUAÇU - Um acidente envolvendo dois ônibus, aconteceu na madrugada deste sábado (25), na Professor Paris com a Via Light, Nova Iguaçu, sentido Pavuna. 

Segundo os Bombeiros, 4 vítimas tiveram ferimentos leves e foram encaminhadas para unidade de saúde mais próxima e passam bem.

Agentes da Secretaria Municipal de Transporte, Trânsito e Mobilidade Urbana (SEMTMU) e Policiais Militares também estiveram no local.

Via Conig
25/06/2016
NOVA IGUAÇU - Neste domingo (26), a garotada irá se divertir no TopShopping com a peça Cinderela, em mais uma edição do Teatro de Bolso. Após a morte de seu pai, a jovem Cinderela passar a sofrer nas mãos de sua malvada madrasta e de suas duas meias-irmãs. Vivendo como uma gata borralheira, ela tem como amigos os ratinhos que habitam a casa. Certo dia, um mensageiro leva um convite especial à sua casa, informando que o Rei fará um baile no palácio real. 

O objetivo do Rei é encontrar uma noiva para seu filho e para isso ele convida todas as jovens do reino. Logo, sua madrasta não exita em preparar as filhas para o baile, enquanto tenta impedir que Cinderela vá à festa. Cinderela, então, conta com a ajuda de uma Fada Madrinha, que lhe dá um belo vestido e uma carruagem, porém ela precisa voltar para casa até meia-noite, caso contrário o feitiço será desfeito. Ao perder o sapatinho de cristal, ela deixa para o príncipe uma maneira de encontrá-la e conquistar o seu amor. A apresentação será realizada no 3º piso, corredor da Leader, a partir das 16h. O evento é gratuito!

Serviço
Data: domingo, 26 de junho de 2016.
Local: 3º piso – corredor da Leader.
Horário: a partir das 16h.
Evento gratuito!

O TopShopping está localizado na Av. Governador Roberto Silveira 540, Centro – Nova Iguaçu. Telefone: (21) 2667-1787.

Via TopShopping
24/06/2016
ILÊ AXÉ OPÔ AFONJÁ:
O Rei está na terra.

Parecia que o tom prateado do luar voltara seu brilho especialmente para aquela pequena casa branca, toda enfeitada de bandeirinhas e folhas de mariô, situada no bairro de Coelho da Rocha, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense! A impressão que se tinha era que a luz da lua, sabedora que aquela noite era especial, tinha resolvido dançar com a claridade do fogo que ardia na imensa fogueira no meio do terreiro.

Havia uma intensa movimentação no lugar e os filhos e filhas da casa recebiam os convidados que iam chegando, devidamente trajados como nobres africanos para saudar o grande Alàáfin de Òyó, eram acomodados em pequenas arquibancadas nas extremidades do salão principal.

Um místico perfume de ancestralidade envolvia o recinto e logo os atabaques começaram a rufar a avamunha anunciando o início da celebração. Por detrás de uma cortina branca rendada, saíram mulheres dançando, majestosamente vestidas com saias coloridas, panos da costa e de cabeça engomados e, a cada mudança no ritmo e na cadência emanada dos tambores sagrados, um diferente orixá era evocado e seu filho ou filha o reverenciava, curvando-se e colocando a cabeça no chão.

Era o prenúncio que aquela celebração seria mágica e inesquecível!

As horas foram passando e o Xirê foi se desenhando como um lindo ritual dos antigos Yorubás. Em determinado momento, feito um estrondo de trovão, o corpo de um dos filhos estremeceu e ocupou o meio do salão. A saudação exclamada por todos se sobrepôs a batida do Ilu Batá: “Kao kabecile”!

O Rei estava na terra! Era Xangô, o orixá justiceiro, que acabara de chegar à sua casa, o Ilê Axé Opô Afonjá!

Dançando, o Rei deixou o salão para retornar momentos depois ao som do Alujá, já com suas vestes, sua bombacha e uma imponente coroa. Nas mãos carregava o oxê, o machado de duas lâminas, e seu ilá parecia ressoar além das paredes, além do barracão, ecoando no tempo e no espaço como um trovão.

Como numa espécie de antigo cortejo, Xangô, com suas esposas Oxum, Oyá e Obá, e acompanhado de sua mãe Iemanjá e do velho Oxalá, saudou todas as divindades manifestadas, convidadas de honra que eram daquela grande festa em comemoração pelos 130 anos de existência daquela casa.

Sentada em uma imponente cadeira colocada em posição de destaque, Mãe Regina de Iemanjá, a matriarca da casa, assistia o bailar de Xangô e das yabás, as orixás femininas. As lágrimas banhavam o rosto da Ialorixá ao relembrar todos os passos da sua caminhada espiritual e as histórias vividas e contadas por suas antecessoras, as mulheres que construíram o Ilê Axé Opô Afonjá, afinal, foi a força feminina que havia trazido até ali a tradição do Axé.

O toque dos atabaques, feito saudosa melodia, embalava as recordações de Mãe Regina. O Ijexá deu então o tom para que Oxum irradiasse sua beleza para todos e fez a sacerdotisa lembrar-se de Mãe Aninha. Na verdade, tudo começou com Mãe Aninha – a Obá Biyi, baiana, filha de africanos, que conhecera de perto as mazelas e tristezas da escravidão. Foi a ela, 130 anos atrás, lá na chamada Pequena África carioca, mais precisamente na Pedra do Sal, que Xangô deu a tarefa de plantar aquele axé e criar uma casa firme como a rocha. Foi lá, vendo os negros trabalhadores do cais do porto subindo e descendo a ladeira, que ela fixou a pedra sagrada de Xangô e onde a casa começou a existir e marcar seu caminho de glórias por sobre as pedras das dificuldades.

Uma agitação trouxe a atenção de Mãe Regina de volta ao barracão. Chegara a hora de Yansã dançar o quebra-pratos. O ritmo agitado e seu modo de requebrar, mostrava a todos que a guerreira estava muito feliz ao dançar para o marido Xangô. A yabá das tempestades abanava a saia e o vento desse movimento fez com quê mãe Regina mais uma vez viajasse no tempo e encontrasse em suas memórias a segunda geração daquela casa, Mãe Agripina – a Obá Déyí. Nascida em Santo Amaro da Purificação, a terra do samba de roda, ao chegar ao Rio de Janeiro, vendeu cocadas e doces em tabuleiros para sobreviver. Foi para mãe Agripina que Xangô avisou, depois de tantas mudanças de endereço impostas pelas perseguições, que queria a sua casa definitiva e que esta seria fincada na Baixada Fluminense. E, de fato, ela foi a grande responsável por garantir a roça de Xangô onde naquela noite a festa estava acontecendo.

A noite já ia grande quando Obá, a guerreira, a valente, a primeira esposa de Xangô, começou a dançar protegendo a orelha e cortando o ar, ora com a adaga, ora com o ofá e fez a Yalorixá se recordar da guerreira Mãe Cantú, a Ayrá Tolá, a terceira sacerdotisa daquela casa e sua mãe espiritual. Foi com ela que Mãe Regina aprendeu tudo sobre os orixás e sobre os fundamentos do candomblé.

Radiante de alegria e transbordando de emoção, Mãe Regina levantou-se da cadeira sacerdotal e saiu para dançar com Yemanjá, sua deusa, sua mãe de cabeça. Havia mesmo muito que se comemorar por esses 130 anos do Ilê Axé, pois, apesar de todos os percalços de uma história iniciada em um tempo muito difícil, de perseguição policial, a casa se manteve firme como uma rocha.

Com o sol já querendo beijar a lua, chegou o momento das despedidas!

Oxalá começou a dançar e sobre o pai de todos os orixás, um enorme pano branco, o Alá, foi colocado. E para homenageá-lo, vários Orixás foram chegando, primeiro Oxumarê, depois Ogum, Oxossí e Ossain, formando um lindo cortejo africano. E assim como chegaram, um após o outro, os orixás se despediram do salão e se foram.

Por fim era a hora de Xangô se despedir e o senhor do fogo oculto deu o seu grito de guerra, forte como uma pedra e imponente como um LEÃO: Kao, Kabecile Xangô!

O Rei se foi, mas que fique entre nós o desejo de que um tempo de justiça e de igualdade se inicie. Que as diferenças sejam respeitadas e os preconceitos derrotados pelo machado do Alàáfin de Òyó!

Salve o Ilê Axé Opô Afonjá! Salve os 130 anos de lutas, de preservação e de glórias!
AXÉ!

Dicionário:
Mariô – folha do dendezeiro.
Alàáfin de Òyó – título do Obá (rei) do império de òyó.
Avamunha – é o toque ou ritmo entoado pelos atabaques.
Xirê – roda ou dança utilizada para evocação dos Orixás.
Yorubás – diversas populações africanas ligadas pelo idioma ioruba, além de uma mesma história e cultura.
Ilu batá – tambor para culto de Xangô.
Kaô Kabecile – o Rei está na terra.
Alujá – ritmo rápido que expressa força e realeza, que recorda os trovões, dos quais Xangô é o senhor.
Ilá – é o grito tribal dos deuses africanos, é a voz do Orixá.
Oxê – machado de dois gumes usado por Xangô.
Yabás – as Orixás femininas.
Ialorixá – sacerdotisa de um terreiro de candomblé, a mãe de santo.
Ijexá – ritmo oriundo dos Iorubás, tocado nos terreiros de candomblé.
Ofá – arco e flecha.
Alá – pano branco.

Bibliografia:
Ilé ase òpó Àfònjá – Da Pedra do Sal até Coelho da Rocha – Ed Machado
Mãe Agripina – Ìyalòrìsà nìlé Àse Òpó Àfònjá, uma história no candomblé do Brasil – Ed Machado
Faraimará – O caçador traz alegria Mãe Stella, 60 anos de iniciação - Cléo Martins e Raul Lody
Mãe Stella de Oxóssi – Perfil de uma
Liderança Religiosa – Vera Felicidade de Almeida Campos
Herdeiras do axé – Reginaldo Prandi

Via Divulgação
24/06/2016